Sorrisos e lágrimas



Abriu um sorriso, baixou o rosto disfarçando e uma lágrima escorreu de quem só fazia os outros chorarem. E então vem a lona toda a fraqueza, mas, de quem é a culpa? De quem chorou a vida inteira? Acho que essa lágrima fora o sinal de que ela havia perdido a batalha.
Nada mais abala quem já chorou tanto e ela se mostrava fraca pela primeira vez.
Ele já não demonstra, porque não há mais fraqueza. Tanto tempo apanhando, observando, aprendendo todas as crueldades e os joguinhos das pessoas. Adquiriu frieza, adquiriu inteligência e se tornou tão perigoso quanto os outros. Bebe todas as noites e vai a praia todos os dias. Se finge de bêbado e consegue passar despercebido, as pessoas acham que é só outro bêbado qualquer. Mas, este bêbado é diferente, hoje é mestre no que chamam de convivência. Passou muito tempo observando, perdeu os mais lindos sentimentos que tivera antes de a sociedade o corromper, o único sentimento que ainda têm guardado é o amor próprio e mesmo assim não liga nem pra si.
E ele continuava sentado, frio e observando aquele choro quieto.
Descobriu que a vida tem muito mais a ensinar do que os livros que havia lido durante todo esse tempo em que viveu. Parou de ler. Escrevia uns contos que desembocavam sempre num final feliz, mas, também parou de escrever. Partiu pro realismo, descobriu que finais felizes ficam apenas nas estórias. Aprendeu a manipular as pessoas, consegue fazer alguém que estar péssimo se sentir a melhor pessoa do mundo, mas, sua especialidade mesmo é fazer se sentir péssimo quem ao menos parecesse feliz. Chamam isso de engenharia social, é notável que é um sujeito com grande poder de persuasão, mas, é também um infeliz preso na sua solidão.
Finge que não se importa com isso e todos acreditam. Acende um cigarro, bebe sua ultima dose e se despede com um sorriso maldoso, deixando cair outra lágrima de quem já havia o ensinado muito do que aprendeu. Chegou em casa, acendeu outro cigarro, abriu um litro de conhaque que guardava em seu guarda-roupas e buscou um caderno antigo, tirou do bolso a caneta que outrora escrevia lindas e falsas estórias. Riscou mais um nome, tragou o cigarro e o lançou janela afora. Deu um último sorriso, agora mais íntimo e dormiu, esperando por outro dia de ressaca, porres e possíveis vinganças.

Valci Pessoa
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Vida de marionete



Explicai-vos então, o que de fato acontecera.
Papel e caneta perderam a sintonia para trabalhar em conjunto.
Já eu, perdi o sentido dessa vida.
Não sei quando nem onde aconteceu.
Quando me dei conta, tudo havia perdido a importância.
Não tenho mais vontade de viver.
Parei de escrever não por opção.
É que meus vícios, hoje, gritam muito mais alto e constante do que antigamente.
Não me permitem mais viver.
Apenas falam e fazem por mim.
E essa vida de marionete já perdeu a graça.
Assim como todas as pessoas e coisas de que eu gostava.
As vezes é preciso de um tempo para entender.
Entender o que se vive, o que se passa, como tudo isso funciona.
Entender o que não se pode entender.
As vezes é preciso tentar entender as pessoas.
Eu vivi só a observar, troquei acertos por erros, ganhei e perdi.
Hoje eu estou me fechando no meu mundo de tentar entender.
Vou dar um tempo pra mim mesmo.
Vou me fechar e me isolar.
E vocês, será que vão me entender?
Esse, que hoje escreve..
... Não é o mesmo de outrora.
Até outro dia.

Valci Pessoa

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Doce Veneno


É quando você olha para trás e não percebe os riscos que está correndo, como um viciado injetando heroína com a mesma seringa de um aidético. No momento exato você para e se pergunta. Será que vale a pena correr esse risco? Não há resposta. Então fica tudo em silêncio e você não pensa duas vezes. O prazer grita mais alto que o medo, que tem voz baixa e cansada.
De repente, uma vida inteira destruída, e a única coisa que você pode fazer é esperar a sua hora. Quando você não espera nada, chega, passa, é rápido, acaba. Quando você espera alguma coisa, retarda, falha, demora, não passa. E só o que resta é o sofrimento estendido, agoniado, revoltado.
O tempo não passa, você não liga mais para os riscos, perde o medo da morte que tanto você aguarda. Os outros não podem mais lhe incomodar, você se tornou um monstro para a sociedade hipócrita e preconceituosa. Você não se importa mais com isso, nem deseja mais a morte, percebe que há muito tempo já está morto. Se tornou apenas um projeto de vida que perambula pela cidade em busca de novos riscos.
Um dia você acorda e decide lutar contra tudo isso, não quer mais ser o monstro da sociedade, tampouco, o zumbi que corre pela cidade atrás de novos riscos. Pensa em mudar de vida, lembra do passado e de tudo que havia feito até aquele exato momento. Um filme começa a passar na sua cabeça, lembra de todos os porres tomou, de todas as drogas que experimentou, de todas as prostitutas com quem transou. Lembra o quanto já foi inteligente e então busca uma solução. Descobre a cura para a sua doença e se liberta do trauma que vivera durante os últimos oito ou nove anos da sua vida. Acorda novo, outro dia, outra identidade, deixa de ser um zumbi, passa a ser novamente humano, aceito e respeitado pela sociedade.
Em comemoração a sua vitória, acende um cigarro, senta na mesa de um bar, pede uma tequila. Talvez nem se lembre que o tempo passa quando a gente não espera. Sua idade já está avançada mas ele tem vontade de viver ainda, relembra todos os momentos ruins e dá um sorriso vitorioso, irônico, sarcástico. Levanta da cadeira, caminha em direção ao balcão do bar. Sente uma dor no peito, senta novamente, dessa vez lentamente rumo ao chão. Deita no chão, dá um ultimo trago no cigarro e morre.

Valci Pessoa


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Mulheres - Charles Bukowski


Eu tinha cinquenta anos e há quatro que não ia para a cama com uma mulher. Não tinha amigas. Quando passava por elas, na rua ou onde quer que as via, olhava, mas olhava sem desejo e com desinteresse. Masturbava-me regularmente, e a ideia de ter uma relação com uma mulher - mesmo em termos não sexuais - estava muito longe da minha imaginação. Eu tinha uma filha ilegítima, com seis anos de idade. Ela vivia com a mãe e eu pagava uma pensão. Casara-me aos 35, há alguns anos atrás. Este casamento durou dois anos e meio. A minha mulher divorciouse de mim. Só estive apaixonado uma vez. Ela morreu de alcoolismo crónico. Morreu aos 48, quando eu tinha 38. A minha mulher era doze anos mais nova do que eu. Acredito também que ela esteja morta, embora não tenha a certeza. Durante seis anos, depois do divórcio, ela escrevia-me

Não sei quando vi Lydia Vance pela primeira vez. Foi há cerca de seis anos, tinha eu acabado de abandonar um emprego de doze anos como funcionário dos correios, e tentava tornar-me escritor. Estava mais aterrorizado e bêbedo do que nunca. Debatia-me com o meu primeiro romance. Todas as noites, enquanto escrevia, esvaziava meia garrafa de whisky e duas embalagens de seis cervejas. Fumava cigarros baratos e batia à máquina, bebia e ouvia música clássica pela rádio até amanhecer. Impus-me um objectivo de dez páginas por noite, mas nunca sabia até ao dia seguinte quantas tinha escrito. De manhã levantava-me, vomitava, dirigia-me para a sala da frente e olhava para o sofá para ver quantas lá estavam. Excedia sempre as minhas dez. Por vezes eram 17, 18, 23, 25 páginas. Claro, o trabalho de cada noite teria de ser limpo ou deitado fora. Para escrever o meu primeiro romance levei vinte e uma noites.

Os donos da casa onde então vivia, e que moravam nas traseiras, pensavam que eu era maluco. Quando acordava de manhã, estava um grande saco de papel castanho à porta. O conteúdo variava algumas vezes, mas habitualmente era tomates, rabanetes, laranjas, cebolas verdes, latas de sopa, cebolas vermelhas. De vez em quando eu bebia cerveja com eles até às 4 ou 5 da manhã. Habitualmente o velho desaparecia, e eu e a velha aproveitávamos para nos darmos as mãos, e às vezes até a beijava. À porta, dava-lhe sempre um grande beijo. Ela era terrivelmente enrugada, mas nada podia contra isso. Era católica e ficava muito gira quando punha o seu chapéu cor-de-rosa para ir à igreja ao domingo de manhã.

Penso que encontrei Lydia Vance na minha primeira leitura de poesia. Foi numa livraria da Kenmore Avenue, The Drawbridge. Estava, mais uma vez, aterrorizado. Vaidoso, mas aterrorizado. Quando entrei só havia lugares em pé. Peter, que se ocupava da livraria e vivia com uma preta, tinha uma pilha de notas à sua frente. «Merda», pensei, «se eu conseguisse juntar sempre assim tantas, teria dinheiro suficiente para fazer outra viagem à índia!» Entrei e eles começaram a aplaudir. No que diz respeito à leitura de poesia, ia de facto ser de arromba. Eu li durante meia hora e fiz um intervalo. Ainda estava sóbrio e podia sentir no escuro os olhos presos em mim. Vieram algumas pessoas falar comigo. Depois, no momento em que eu estava mais livre, Lydia Vance aproximou-se. Eu bebia cerveja sentado a uma mesa. Ela pousou as duas mãos no rebordo da mesa, inclinou-se e olhou para mim. Tinha longos cabelos castanhos, na verdade muito compridos, um nariz proeminente e era estrábica. Mas desprendia vitalidade - sabia-se que ela estava ali. Eu sentia passarem vibrações entre nós. Algumas eram confusas e não muito boas, mas estavam ali. Ela olhou-me e eu devolvi-lhe o olhar. Lydia Vance usava um casaco de cowgirl em camurça, com uma franja à volta do pescoço. O seu peito era mesmo bom. Eu disselhe: «Gostaria de arrancar essa franja do seu casaco podíamos começar por aí!». Lydia afastou-se. Não tinha pegado. Eu nunca sabia o que dizer às mulheres. Mas ela tinha cá um traseiro. O fundo das suas calças de ganga moldavam-no na perfeição, e eu continuava a fixá-lo enquanto ela se afastava (...)

Enfim, eu indico a leitura completa.

Valci Pessoa

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Amnésia, Tequila e Conhaque.

Quando acordei não sabia onde estava, creio que deveria ser por volta das duas horas da madrugada de uma terça-feira. Olhei ao redor, vi algumas mesas e pessoas bebendo, logo deduzi que seria um bar, como foi que eu cheguei aqui, pensei, não consegui lembrar. Então levantei da cadeira na qual havia dormido e sai em busca de um banheiro, não reconhecia nenhuma daquelas pessoas, tampouco o ambiente. Olhei-me no espelho e meu rosto estava um lixo, ao sair do banheiro as pessoas me olhavam com aquele ar de espanto, mas isso não me causava alguma importância. Eu parecia causar medo em toda aquela gente. Isso deveria me deixar constrangido, porém, deixava-me contente, era bom parecer um cara mau, embora não fosse. Direcionei-me ao balcão do bar, pedi uma dose de tequila e virei sem ao menos saber se ainda tinha grana para pagar. Pedi outra dose e enquanto o garçom colocava, enfiei a mão no bolso para conferir se tinha dinheiro, havia ainda cento e vinte duas pratas que eu também não sabia ao certo de onde vinha. Havia também um isqueiro e uma carteira de cigarros Carlton Dunhill, puxei um cigarro da carteira e a sensação que tive, era que o mundo inteiro havia parado enquanto eu o acendia. Dei uma tragada bem forte e tentei lembrar onde ficava minha casa. Foi em vão. Meus braços estavam arranhados, lembrei-me de uma briga que tive com uma mulher que talvez fosse uma ex-namorada. Foi então que eu pedi outra dose, dessa vez a escolha foi um conhaque trinta e três anos envelhecido que vi na prateleira mais alta do bar. Rapidamente tomei a dose, que me desceu quente e ao mesmo tempo suave. Novamente olhei todas aquelas pessoas ao meu redor, pareciam terem esquecido de mim. Pelo menos não me olhavam mais tão nos olhos. Então paguei a conta, pedi ao garçom que me vendesse o litro inteiro daquele conhaque, o que acabou me saindo por, noventa e oito pratas. Acho que devo ter ficado em média com uns três reais no bolso. Então peguei meu conhaque, acendi outro cigarro e sai andando sem rumo pelas ruas, tragando, bebendo e rindo alto pra caralho.

Valci Pessoa

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E então acabou.


E então acabou. E nós que olhávamos o futuro sem enxergar o fim. Acreditávamos no eterno, sem saber que toda eternidade finda. Eu jamais te vi com esses olhos que hoje vejo, o encanto acabou e tudo voltou a ser o que realmente era. Promessas foram feitas para serem quebradas, e quantas e mais quantas, você já quebrou?
Não há final feliz, eu nunca acreditei nessa estória. Afinal, quem foi o idiota que inventou isso? Se houvesse mesmo felicidade, não haveria um final. O amor é assim, ele aparece como uma visita inesperada. Faz-te crer na felicidade, na eternidade e ainda por cima, faz-te pensar que não há mais nada importante nesse mundo além dele. Mas, de repente, ele decide partir e acaba com suas esperanças. Mostra-te que não há felicidade sem tristeza, não há amor sem ódio. Tudo acaba! Tudo finda.
Chega um dia que você percebe que não adianta mais tentar, percebe que pessoas nunca mudam por você, e quando esse dia chegar, você deve estar preparado para enfrentar a situação. Esse dia chegou para mim. E o que mais machuca é saber que nada do que planejávamos irá cumprir-se, é saber que eu ainda te amo mais do que você possa imaginar, é ver todos os sonhos escorrendo pelo ralo de um banheiro sujo. Amar dói.
E então eu continuo aqui, estou parado onde estava, exatamente como eu estava antes de você me conhecer, voltei ao ponto de partida. Lembra-te de como eu era antes de você surgir e mudar inteiramente a minha vida? Estou aqui novamente, sentado em um bar qualquer, bebendo uma cerveja qualquer e escrevendo textos como esse. Talvez seja melhor assim, no fundo nós dois sabemos que isso nunca deu certo mesmo. Cansei de ver você dar prioridade a coisas tão fúteis enquanto a minha prioridade em tudo sempre era você.
Um dia você vai acordar e ver que tudo isso que você deu prioridade, não passa de ilusões e que por causa dessas ilusões, você perdeu alguém que te ama muito e faria de tudo por você. Então se você tiver coragem, vai me procurar novamente, talvez seja tarde demais para me encontrar, mas, talvez eu esteja lá, parado exatamente onde eu estava antes de você me conhecer, com um cigarro entre os lábios, um isqueiro na mão esquerda, enquanto a mão direita protege o cigarro do vento, então o cigarro será aceso e depois de uma tragada violenta, quem sabe eu acene novamente pra você.



Valci Pessoa

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Carta ao pai.

... E então você para e nota que está sozinho, que aqueles que deveriam ser a sua família te dão as costas, e fecham os olhos fingindo não estarem vendo nada.
Mas eles estão, eu sei que estão.
Acordei com vinte anos de idade.
E eu que nem dava conta que o tempo passava.
Acordei e senti falta do meu pai.
Eu que nunca sentia falta de nada.
Abri os olhos e a falta que eu senti, me fez correr uma lágrima, que ao encostar-se aos meus lábios mostrava-me um gosto salgado que eu ainda não conhecia.
E eu que nunca chorava.
Quando você partiu, eu fiquei aqui, nem me passava pela cabeça o quanto seria difícil ter que aprender tudo sozinho.
E eu que achava saber de tudo.
Enquanto eu escrevo pai, continuo a sentir aquele gosto salgado, agora ele já não é mais novidade pra mim.
E eu que nunca chorava.
O tempo passou papai, anteontem nasceu a sua segunda neta.
Mas o senhor não está aqui para vê-la, saber disso dói demais meu pai.
E eu que nunca sentia nada.
As vezes, fecho os olhos e abro ligeiramente achando que vou despertar desse pesadelo.
Mas quando olho tudo em volta, vejo o quanto ele é real.
Mas como eu pude só perceber tudo isso agora meu pai?
Onde eu estava durante todos esses anos?
A minha unica vontade é fugir sem deixar vestígios.
Esquecer de uma vez por todas todo esse sofrimento.
Estou completando vinte anos meu pai.
Espero não ver sua família, vindo me perturbar com toda aquela falsidade.
Só agora eu vejo o quão diferente seria minha vida com você presente.
Só agora percebi.
Só agora, abri meus olhos e senti sua falta.
Pelo amor de Deus me perdoa Papai.
Ninguém sabe o quanto isso dói.
E eu que nunca sentia nada...

Valci Pessoa.

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A verdade sobre a Nostalgia



Nostalgia: Nostalgia descreve uma sensação de saudades de um tempo vivido, freqüentemente idealizado e irreaAdicionar imageml. Nostalgia é um sentimento que surge a partir da sensação de não poder mais reviver certos momentos da vida. O interessante sobre a nostalgia, é que ela aumenta ao entrar em contato com sua causa e não diminui como o sentimento da saudade, exemplo: se alguém sente saudades ou falta de um conhecido, este sentimento cessa ao se reencontrar a pessoa, com a nostalgia é exatamente o oposto, ao reencontrar um amigo que gostava de brincar, este sentimento nostálgico irá se alimentar e não diminuir como a saudade.
Fonte: Wikipédia.

Lembro-me mui bem das farras inocentes que fazíamos naquela época, digo “fazíamos” porque nessa época, eu ainda não era o que hoje sou, tinha amigos.
Era no colegial, juntávamos o nosso grupo, e nos reuníamos na casa de algum dos nossos.
Na maioria das vezes era na casa de uma pessoa em particular que não devo citar o nome aqui, mas se ela ler isso, com toda certeza vai saber que falo dela.
Ficávamos ali por horas, sempre comprávamos uma coca-cola e ficávamos falando qualquer besteira. O amor já começava a nascer entre alguns, não era todos, eu era um dos que ainda não conhecia tal sentimento. Eis que um dia o amor vem, e dele eu não pude fugir.
Em verdade para lhes ser sincero, não sei bem se era realmente amor, devo dizer que era algo sublime. Paixões de nossas infâncias, aquelas verdadeiras paixões, na qual somos capazes de dar a própria vida, em prol dos nossos amantes.
Tudo aquilo era muito novo pra mim, o primeiro beijo, o primeiro amor e depois disso não demorou muito a primeira transa.
Não consigo transcrever tais sentimentos, como na época consegui senti-los.
Nem tamanha saudade que sinto é possível escrever ao ponto que você leitor, consiga também sentir.
Eu era visto pelos pais dos meus amigos, como exemplo de como seus filhos deveria ser, e isso para mim, era motivo de grande orgulho.
Tornei-me o que sou hoje aos quatorze ou quinze anos, foi quando comecei a perder os meus amigos e passei de bom exemplo a má-companhia.
Lembro do primeiro cigarro que coloquei na boca, do primeiro copo de cerveja e de outras coisas ruins que fiz e acho melhor nem citar.
Até então, ainda não havia perdido por completo os meus amigos de infância, restavam-me ainda poucos e fiéis.
Ao fim daquele ano, sai da escola em que estudava, dessa parte da história de meu passado, sinto repulsa.
Foi exatamente nessa época me tornei o que realmente sou hoje, um jovem complexo, alcoólatra e sozinho.
Tenho novos amigos, acho que “amigo” nesse caso é uma palavra muito forte, fica mais bem dito, colegas.
Aqueles do passado os vi falando sempre muito mal de mim, de como eu era antes e porque havia me transformado tanto.
Hoje eles são realmente iguaiszinhos ao que sou hoje, ao que me tornei naquela época. Apenas fui um pouco precoce e isso me condenou a uma imensa solidão, que ora me tortura e ora me satisfaz.
A maioria deles voltaram a ser como antes, como antes eram até eu me transformar no que sou hoje, mas ainda permanecem a distância, acho que agora foram eles que surpreenderam com tal transformação, ou então posso ter-me acostumado a solidão que me cerca.
Da amizades, só restou-me a Saudade do tempo em que eram verdadeiras.
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O tempo de um cigarro ...



O tempo de um cigarro para uma vida inteira.
O sol queimando a pele
Outrora aquece
Aquele que já não se esquece
Da chuva que não corria na telha
Sem um teto
Sem esperanças
Um passado de tristes lembranças vem a tona
Escancarando-se as lonas
Do espetacular circo de horrores.
Uma lágrima corre em um rosto
Uma barriga clama por comida
E um simples gesto seu poderia mudar toda a vida
Daqueles que em suas orações antes de dormir ,
Imploram para não mais acordar.
É quando acaba o cigarro,
E encerra assim o espetáculo
Da vida mal-vivida.
Daqueles que são necessitados.

Valci Pessoa.
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Estamos passando por algumas mudanças, em breve o blog estará normal. Valci Pessoa.

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